top of page

Design Para Um Mundo Generativo: Por Que Líderes Financeiros Ainda Pensam em Otimização

  • há 2 dias
  • 4 min de leitura

Por Stefano Levorato, embaixador IA4FIN




Nos últimos meses, conversei com mais de 30 CEOs e CIOs de instituições financeiras sobre IA. Quase 100% deles estavam fazendo a mesma coisa, a preocupação central era otimizar custos de atendimento, otimizar processos de crédito, otimizar recursos. E todos estavam perseguindo o mesmo objetivo: fazer melhor o que já fazem. Acontece que, enquanto você otimiza o produto de ontem, a concorrência está desenhando o produto de amanhã.Segundo uma pesquisa recente do MIT Media Lab e McKinsey, 87% das instituições financeiras tradicionais estão em "modo otimização" com IA, enquanto apenas 13% estão em "modo inovação".


E a diferença não é de tecnologia, mas sim de mentalidade e de como muitos líderes pensam sobre design de produto, modelos de receita e valor. E nesse sentido, acredito que deveríamos nos perguntar mais "e se pudéssemos desenhar do zero?" em vez de apenas "como faço isso mais rápido e barato?".


O Paradoxo do Líder Financeiro


Um dos maiores bancos brasileiros que tive contato recentemente tinha um time excelente de IA, com modelos sofisticados, infraestrutura de classe mundial, e em um workshop que levei pra eles, me apresentaram uns 15 projetos em andamento. A minha primeira pergunta foi: Quantos deles estão criando novos modelos de receita? Resposta: nenhum. Todos eram otimizações de processos existentes. E por que isso acontece? Porque a mentalidade de um líder financeiro é estruturada para otimizar o que já existe. Mas agora, tente pensar algo diferente: "Vamos usar IA para desenhar um novo serviço de consultoria financeira semiautomática para PMEs que não temos como servir hoje."


Subitamente, tudo fica incerto e aí surgem as inúmeras perguntas: "Qual é o tamanho de mercado? Como precificar? Qual é nosso diferencial?" As perguntas ficam muito maiores que a resposta e aqui está o problema: líderes financeiros foram treinados para minimizar as incertezas e não para abraçá-las. Fiquei impactado com uma pesquisa da Harvard Business Review de 2024, que mostra que essa pode ser uma das razões pelas quais apenas 18% das instituições financeiras conseguem lançar novos modelos de negócio com IA: não por falta de capacidade técnica, mas porque muitas ainda usam a tecnologia para otimizar o modelo atual, e não para redesenhar a forma como criam, entregam e capturam valor.


Um dos temas cruciais que também trago nesta coluna é o Open Innovation. O que vejo é que a maioria dos líderes financeiros brasileiros ainda acredita que inovação vem "de dentro para fora". Parece que construir internamente tem uma vantagem psicológica clara para os executivos porque isso proporciona controle total, IP próprio e diferencial de mercado. Mas em um mundo onde IA se move a velocidade do OpenAI, da Anthropic, do Google, tentar construir tudo dentro de casa é simplesmente perder vantagem competitiva.


Os líderes que realmente inovam estão fazendo diferente, estão usando modelos de IA de terceiros, plugando APIs de especialistas e fazendo parcerias com startups que entendem de um pedaço específico do problema. E mais, estão investindo em Corporate Venture para capturar inovação do mercado. Mas quando você propõe isso para um banco tradicional, o que você ouve é que a startup pode falir, que o modelo pode não evoluir como esperam, como vão proteger sua reputação se usarem tecnologia de terceiros e assim vai.


Eu até acho todas perguntas legítimas, mas feitas por quem está em mindset de otimização e não em mindset de inovação. Segundo uma pesquisa do Accenture, os bancos que investem na ideia do Open Innovation conseguem lançar novos modelos de negócio 3x mais rápido que aqueles que tentam construir tudo sozinhos.


Mas como Começar a Redesenhar mais em Vez de apenas Otimizar


O primeiro ponto é que mudar a mentalidade de "otimização" para "design estratégico com IA" não é um exercício individual, mas sim um exercício coletivo que exige que toda a liderança esteja na mesma página, pensando da mesma forma. E digo mais, o mercado financeiro está em um ponto de inflexão onde a IA é uma realidade, é realmente poderosa, mas o diferencial não será de quem tem o melhor modelo de IA mas sim, de quem consegue de fato desenhar outros modelos de negócio que só são viáveis com IA.


Nas últimas edições do workshop que ministro, IA para Líderes, temos visto um crescente número de participantes que vem de instituições financeiras, bancos, fintechs e seguradoras e o que vemos é um padrão claro, a maioria entra com uma visão sobre IA que é puramente técnica ou operacional, mas depois saem com uma visão mais ampla.


Resumindo, a ideia é que você pare um pouco e pense que, enquanto você está refinando eternamente o seu chatbot, alguém está usando a IA para criar um novo serviço que você nunca pensou em oferecer e que, enquanto você está otimizando custo, alguém está desenhando mais receita. Então, eu quero deixar um convite para você: não espere mais para começar. Não fica aí esperando pra quando tiver o modelo perfeito ou quando tiver 100% de clareza. Comece agora mesmo, reúna a sua liderança, faça as perguntas certas, mas não se perca nelas.


Teste as hipóteses rápido e aprenda com os erros. O que você precisa saber é que o mercado não espera pelo perfeito, mas que na verdade ele premia quem consegue inovar mais rápido, e os líderes que entendem isso e agem agora mesmo serão os que vão dominar o mercado financeiro nos próximos anos.

Comentários


bottom of page