Bancos brasileiros lideram ranking de IA e transformam o backoffice
- 22 de jul.
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O protagonismo do mercado financeiro brasileiro na adoção e escala de inteligência artificial atingiu marcas históricas. A tecnologia no país deixou de ser encarada como um simples vetor de automação para se consolidar como o motor central da arquitetura operacional, da concessão de crédito e da gestão de riscos. A maturidade do setor se reflete tanto no domínio de rankings internacionais quanto na eficiência interna do backoffice e na alta demanda dos consumidores por soluções financeiras personalizadas.
Abaixo, acompanhe os três principais destaques que movimentaram o ecossistema na semana.
Brasil domina ranking latino-americano de inteligência artificial bancária
O Brasil alcançou o topo da primeira edição do "Evident AI Index for Banks in Latin America", relatório que avaliou critérios como densidade de talentos especializados, inovação, infraestrutura tecnológica, liderança e adoção responsável de IA. Das 20 instituições financeiras analisadas na América Latina, sete são brasileiras, e os quatro primeiros lugares do ranking regional foram ocupados inteiramente por bancos do país: Nubank (1º), Itaú Unibanco (2º), Bradesco (3º) e Banco do Brasil (4º).
Entre os destaques, o Nubank registrou mais de 5% de sua força de trabalho dedicada exclusivamente a funções de IA — triplo da média regional —, enquanto o uso de seu modelo Nuformer reduziu o risco de crédito em 70%. O Itaú Unibanco reuniu o maior volume absoluto de profissionais especializados da América Latina, focado em governança e segurança. O Bradesco gerou mais de R$ 1 bilhão em receitas adicionais com análise de crédito via IA , e o Banco do Brasil alcançou a marca de mais de 2 mil soluções de inteligência artificial ativas em sua operação. O estudo também destacou BTG Pactual (7º), Caixa Econômica Federal (12º) e Banco Safra (17º).
Backoffice e modernização de código legado impulsionam eficiência nos bancos
Enquanto as aplicações para o cliente final ganham visibilidade, a verdadeira revolução de eficiência operacional ocorre no backoffice das instituições. Apoiados por um orçamento tecnológico recorde previsto em R$ 50,4 bilhões para o setor, 80% dos bancos brasileiros elegem a expansão da IA como prioridade estratégica. O avanço decorre da transição de assistentes passivos para agentes autônomos, consolidando a ascensão de equipes híbridas onde colaboradores passam a atuar como gestores de inteligências sintéticas.
Casos práticos demonstram os ganhos de escala da automação. O Bradesco utiliza agentes de IA em sua plataforma própria (BIATech) para realizar a engenharia reversa e traduzir códigos legados (como Cobol) para ambientes de nuvem, obtendo até 80% de ganho de tempo e um aumento de 20% na eficiência do desenvolvimento de software. Já o C6 Bank adotou uma arquitetura proprietária e agnóstica para implementar IA generativa na extração e leitura de documentos para abertura de contas de pessoas jurídicas (PJ), reduzindo o tempo de aprovação do onboarding de um dia inteiro para apenas dez minutos.
Estudo revela lacuna entre a intenção e o uso da IA nas finanças pessoais
O estudo "Inteligência Artificial e Finanças: O que pensam os brasileiros", realizado pelo Mercado Pago com 2.300 usuários, revelou que 66% das pessoas utilizam assistentes de IA no cotidiano e 64% gostariam de aplicar a tecnologia para organizar suas finanças. No entanto, apenas 9% dos entrevistados efetivamente aplicam essas ferramentas para cuidar do próprio dinheiro no dia a dia, evidenciando uma grande margem de expansão para o mercado.
A pesquisa aponta que as principais demandas do consumidor envolvem controlar gastos mensais (16%), encontrar oportunidades de economia (14%) e receber sugestões de investimento (12%). Quase metade da amostra (48%) declarou tomar decisões financeiras totalmente sozinha, sem auxílio de consultores ou planilhas, abrindo espaço para a IA atuar na democratização da orientação financeira.
A adesão, contudo, depende de transparência: 73% dos consumidores aprovam recomendações personalizadas baseadas em seu histórico, mas 33% exigem controle total sobre quais dados são compartilhados. Ferramentas conversacionais integradas, como o assistente pessoal do Mercado Pago — que atende mais de 95% das consultas de forma autônoma —, ilustram a busca do setor por experiências via chat e voz diretamente conectadas às contas bancárias.
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