A essência da HeadsOn

Por Rodrigo Tetti*
Quando criamos a HeadsOn, eu já tinha uma inquietação que continua muito presente hoje: boa parte do mercado de serviços de tecnologia acabou se acostumando a vender pessoas, horas e capacidade. E, do outro lado, muitas empresas também se acostumaram a comprar dessa forma.
Isso funciona. Nós mesmos temos profissionais alocados em clientes e esse continua sendo um modelo importante para a HeadsOn.
O problema começa quando a relação termina aí.
Quando o cliente pede cinco pessoas e o fornecedor simplesmente manda cinco currículos. Quando recebe um escopo e a preocupação é apenas executá-lo. Quando percebe que existe uma solução melhor, mas prefere não entrar na discussão porque aquilo “não faz parte do contrato”.
Esse nunca foi o tipo de empresa que eu quis construir.
A HeadsOn nasceu muito desse incômodo.
Antes de entregar tecnologia, precisamos entender o problema
Uma coisa que aprendi trabalhando tantos anos com tecnologia é que o pedido inicial do cliente nem sempre é o problema que precisa ser resolvido.
Às vezes ele pede mais pessoas.
Às vezes pede uma determinada arquitetura.
Às vezes chega com uma solução praticamente desenhada.
E muitas vezes nosso maior valor está antes de qualquer desenvolvimento começar.
Está em perguntar por quê.
Entender o contexto.
Colocar alguém técnico na conversa.
Questionar uma premissa.
Mostrar um caminho diferente.
Tem situações em que fazemos uma pré-venda longa, envolvemos pessoas que nem estarão diretamente no projeto e gastamos bastante energia antes de existir qualquer receita.
Eu nunca enxerguei isso como desperdício. Para mim, isso faz parte do serviço.
Se somos parceiros de tecnologia, não podemos aparecer apenas depois que todas as decisões importantes já foram tomadas.
Também não acredito muito nessa ideia de “consultividade” como um diferencial comercial. Virou uma palavra que todo mundo usa.
Consultividade, para mim, é algo mais simples: é não ser indiferente ao resultado.
Se achamos que existe um caminho melhor, temos obrigação de falar.
Por que mercado financeiro
A HeadsOn acabou construindo grande parte da sua história dentro do mercado financeiro.
Isso também moldou bastante nossa maneira de trabalhar.
Quem trabalha com bancos, instituições financeiras, meios de pagamento ou empresas que orbitam esse mercado sabe que dificilmente um problema é apenas tecnológico.
Uma mudança aparentemente pequena pode mexer em operação, segurança, integração, legado, experiência do cliente, processos internos e regulação ao mesmo tempo.
Você pode ter excelentes desenvolvedores e ainda assim construir a solução errada se não entender o ambiente em que ela vai funcionar.
Por isso gosto da expressão Tech on Finance.
Ela parece uma assinatura de marca, mas traduz uma escolha bastante concreta nossa.
Queremos entender tecnologia, obviamente. Mas também precisamos entender o que acontece do outro lado do código.
Qual processo estamos mexendo.
Quem depende dele.
Qual risco existe.
Qual impacto aquilo gera no negócio.
Tecnologia isolada do contexto resolve muito menos do que parece.
Não acredito que nosso produto seja hora
Quantas pessoas?
Essa talvez seja uma das discussões mais importantes para empresas como a HeadsOn nos próximos anos.
O modelo tradicional de serviços de tecnologia é muito baseado em esforço.
Quantos meses? Quantas horas? Quanto custa a hora?
Só que existe uma contradição aí.
Se tecnologia serve para aumentar produtividade, automatizar e simplificar, por que uma empresa de tecnologia deveria depender economicamente de produzir cada vez mais horas?
Essa pergunta já me incomodava antes da Inteligência Artificial.
Agora ela ficou muito mais relevante.
IA já começa a escrever código, testar, documentar, analisar requisitos, revisar desenvolvimento e acelerar uma série de atividades que até pouco tempo atrás eram totalmente manuais.
A tendência é produzirmos mais com menos esforço.
E eu considero isso ótimo.
Não quero que a HeadsOn seja uma empresa tentando proteger horas que deixaram de ser necessárias.
Quero que sejamos uma empresa capaz de capturar parte desse ganho de produtividade e entregar mais resultado para o cliente.
Isso muda tecnologia, mas também vai mudar o modelo de negócios das empresas de tecnologia.
É uma discussão que nos deixa inquietos dentro da HeadsOn desde que a IA generativa se tornou pública e que pretendo aprofundar bastante nos próximos meses.
No final, ainda é uma empresa de pessoas
Ao mesmo tempo, quanto mais falamos de IA, automação e produtividade, mais fácil é esquecer uma coisa óbvia.
Quem constrói tudo isso são pessoas.
A HeadsOn tem hoje profissionais que conhecem profundamente clientes, sistemas e histórias que não aparecem em nenhum documento.
Pessoas que entram em uma reunião para resolver um problema que teoricamente nem era delas.
Que discordam de uma decisão. Que ajudam outro time. Que assumem responsabilidade. Que ligam para alguém porque sabem que alguma coisa pode dar errado.
É difícil colocar isso em uma proposta comercial.
Também é difícil precificar.
Mas, para mim, boa parte do valor de uma empresa de serviços está justamente aí.
Não quero construir uma empresa em que as pessoas simplesmente sejam alocadas e esquecidas.
Quero que elas tenham espaço para pensar, crescer, questionar e participar do resultado.
E quero que nossos clientes sintam essa diferença.
O que não mudou
Desde que lançamos a marca HeadsOn muita coisa mudou.
Mudamos estrutura, pessoas, clientes, serviços e tecnologia.
Estamos discutindo IA de uma forma que provavelmente nem imaginávamos alguns anos atrás.
E acredito que a HeadsOn ainda vai mudar bastante.
Mas algumas coisas continuam iguais. Continuo não gostando de soluções genéricas. Continuo acreditando que precisamos entender antes de executar. Continuo achando estranho um fornecedor identificar uma solução melhor e ficar quieto porque aquilo não estava no escopo.
Continuo acreditando que relacionamento de longo prazo se constrói assumindo responsabilidade, inclusive quando é mais fácil simplesmente dizer “isso não é nosso”. E continuo bastante incomodado com a ideia de que empresas de tecnologia devam medir seu valor principalmente pela quantidade de horas que conseguem vender.
Talvez seja isso que melhor explique a essência da HeadsOn.
Não somos uma empresa pronta.
Nem queremos ser.
Queremos continuar questionando nossa própria forma de trabalhar à medida que tecnologia, mercado e clientes mudam.
Quando criamos a marca, usamos uma palavra que continua fazendo bastante sentido para mim: inconformismo.
Não no sentido de contestar tudo.
Mas no de nunca aceitar automaticamente que a forma atual é necessariamente a melhor forma.
A HeadsOn nasceu desse incômodo.
E, felizmente, ele continua aqui.
Clique AQUI e conheça mais!
HeadsOn. Tech on Finance.
*Rodrigo Tetti é CEO da HeadsOn.
Conecte-se: LinkedIn




Comentários