Energia Mental: o Recurso que Poucos Gerenciam e Muitos Desperdiçam
- 2 de abr.
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Por Helena Levorato, embaixadora IA4FIN

Quando falamos em gestão de recursos dentro de uma organização, pensamos imediatamente em tempo, equipamentos, dinheiro e pessoas, mas raramente alguém coloca na mesa o recurso que, na prática, impacta diretamente a qualidade de todos os outros: a energia mental de quem trabalha e, principalmente, de quem decide.
Eu trabalho com líderes e equipes de inovação há uns 15 anos, e um padrão que se repete com uma consistência que já não me surpreende mais é ver profissionais altamente capacitados, com acesso a ferramentas apropriadas, dados e metodologias eficazes, entregando muito abaixo do seu potencial real. E isso não acontece por falta de competência, mas por um tipo de esgotamento mental crônico que pouco se nomeia e, portanto, ninguém trata.
Pra entenderem o impacto real desta realidade, o cérebro consome cerca de 20% de toda a energia do corpo. Ele não tem reserva própria de glicose, depende de fornecimento contínuo e é extremamente sensível a variações no ambiente interno como sono, cansaço físico, hidratação, carga emocional acumulada e outras variáveis. Acontece que, quando esse sistema está sobrecarregado, as primeiras funções a serem comprometidas são exatamente as funções mais sofisticadas: o nosso pensamento criativo, capacidade de planejamento de longo prazo, regulação emocional e tomada de decisão complexa, ou seja, tudo que um ambiente de inovação exige.
A neurociência da performance cognitiva distingue dois estados cognitivos fundamentais: o primeiro é o estado de foco direcionado, ativado quando estamos resolvendo problemas, analisando dados ou criando. O segundo é o que chamamos de default mode network, uma rede cerebral que se ativa justamente quando "não estamos fazendo nada", sem os pensamentos focados em tarefas, e que é responsável por conexões mais criativas, consolidação de memória e a geração de insights. O problema é que, na rotina de alta demanda, nunca nos desligamos do estado de foco e atenção e estamos sempre conectados com as inúmeras notificações, reuniões encadeadas, e-mails entre tarefas e etc. E sendo assim, o nosso cérebro não encontra espaço para alternar e, sem essa alternância, a criatividade simplesmente empaca.
O ponto é que ambientes de tecnologia e inovação são particularmente vulneráveis a isso porque operam com alta exigência cognitiva constante, prazos super comprimidos e, algumas vezes, uma cultura que ainda romantiza o excesso de trabalho como sinal de comprometimento. O resultado é previsível: equipes que produzem muito, mas inovam pouco. Ou seja, equipes que executam com competência, mas raramente surpreendem.
Quando eu falo aqui em gerenciar a nossa energia mental, não estou falando de pausas para meditação como item de agenda (o que por si só já é benéfico e traz muita clareza mental), mas estou falando de decisões concretas sobre como estruturar o nosso dia, distribuir as demandas cognitivas ao longo das horas e proteger os momentos de maior clareza mental para o trabalho que realmente exige pensamento profundo.
Durante muitos anos, tenho estudado algumas práticas que têm respaldo sólido na literatura e impacto direto na performance criativa. Concentrar decisões e trabalho de alta complexidade nas primeiras horas do dia, por exemplo, quando os níveis de cortisol estão naturalmente mais altos e o córtex pré-frontal mais ativo, é uma estratégia interessante. Criar blocos de 60 a 90 minutos para atenção focada e incluir pausas de, pelo menos, 5 a 10 minutos aumenta significativamente a nossa performance mental e o nosso potencial criativo.
E, muito importante, tratar o sono como um protocolo de performance e não como artigo de luxo, já que é durante o sono que o cérebro consolida aprendizados e elimina metabólitos acumulados durante o dia, faz toda a diferença e impacta literalmente em todos os nossos resultados.
Essas são algumas das minhas sugestões como neurocientista de como gerenciar melhor a sua energia mental no dia a dia. Agora, nos conte: qual delas você já vai colocar em prática?



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